terça-feira, 15 de setembro de 2015

MEMÓRIAS URBANAS - Comício



Observando a fotografia acima, que retrata um comício em lombo de caminhão, mas já com as  caixas de som modernas, pude recordar os antigos comícios realizados aqui, em Currais Novos, nos anos 60/70, quer fossem do "Bacurau" ou do "Fechador", ou do "Verde" e do "Vermelho", mais ainda, do "Cigano" e do "Velho", como assim o povo referia-se aos partidários de Aluízio Alves e Dinarte Mariz, respectivamente.

Do lado do "Bacurau", o mais interessante era mesmo os oradores domésticos ou a prata da casa, como chamavam, porque em dias em que havia "medalhões" estaduais, eles não podiam deitar a fala no microfone, pois eram impedidos pelo locutor-oficial, quer fosse Dedé Soda ou Assis Silva. Mas em comícios domésticos, a grande atração mesmo eram esses oradores "de casa", como Mané Batista, Cabo Adolfo, Laércio Ferreiro, etc. Do lado do "Fechador", o velho Chico Rodrigues também abrilhantava as noites de eloquência caseira. Havia também os cantores e compositores caseiros, e nisso destacavam-se Aruca e Capiluca, que engendravam marchinhas e frevos dos mais exóticos possíveis, principalmente nas campanhas de Radir Pereira, pelo PTB.

Nesses comícios domésticos, Bastos dos Bonecos também fazia suas performances, com a sagacidade que Deus lhe concedeu, mantendo a assistência sempre atenta e conectada ao seu estilo irreverente.

Mas, contou-me o amigo professor João de Zé Maneco que, em 1968, na reta final da campanha de Radir Pereira para prefeito, contra o Dr. Gilberto Lins, inventou Radir de realizar um comício no Totoró, pois ali reunia, além do Totoró, Quandú, Trangola e adjacências, que juntava muita gente, e aproveitando que o Dr. Gilberto iria realizar o seu na Rua Cândido Mendes, Radir mandou convidar dois bons oradores para aquela noite, mas os oradores convidados não puderam comparecer, e o jeito foi mesmo tocar a assembléia popular se utilizando dos "valores" que tinha em mãos. Dedé Soda anuncia o primeiro orador: "Vai falar, representando o homem sofrido do campo, Mané Batista". E Mané, dentro de sua indumentária, desliza: "Compadre Radir, você é um verdadeiro cheque sem fundo". Radir manda suspender o discurso e dedé chama o outro orador: "Vai usar agora da palavra o representante dos mineradores e dos trabalhadores: Mestre Alfredo Luis de Souza". E, o mestre inicia com o famoso prefácio:

- Boa noite meu povo analfabeto e ignorante do Totoró...

Radir, então, chama Dedé e manda acabar o comício naquele exato momento, dizendo:

- Desse jeito, com esses oradores, eu tô é lascado do primeiro ao quinto, logo aqui no reduto do adversário.     


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