domingo, 20 de setembro de 2015

LENDAS URBANAS - Botijas


Existe um mito no sertão nordestino, mais particularmente aqui no setentrião do Seridó, que se chama "botija" ou tesouro enterrado. Afoitos por tais tesouros, muitos sertanejos juram de pés juntos, que sonharam com personagens tais e quais, lhes fornecendo dados e indicações precisas sobre enterramentos de dinheiro, jóias, etc., mas o que se pergunta é: por que, naqueles tempos primevos, aqueles que detinham mais posses eram levados a enterrar dinheiro e outros bens?

Primeiramente por naquelas épocas não existiam bancos, pelo menos nos sertões de dentro, onde localiza-se o nosso velho Seridó, e já naquele tempo havia assaltos, roubos, furtos, e os famosos salteadores de estradas, e tempos depois surgia o cangaceiro isolado, e em tempos mais adiante, os bandos cangaceiros. Quem não podia dispor de um cofre em casa, em local "acobertado", enterrava dinheiro e bens em local em que somente o proprietário era conhecedor.

Dizem que dona Adriana de Holanda e Vasconcelos, quando enviuvou do 1º marido, o Cel. Cypriano Lopes Galvão, casou com um rico fazendeiro das bandas de Parelhas, chamado Félix Gomes. Até hoje é dúbia a história da riqueza desse personagem, mas o que contam é que ele, antes de morrer, teria enterrado os seus bens - dinheiro, ouro e jóias - nas proximidades da casa-grande da fazenda do Totoró de Cima, mas até os nossos dias andam procurando tal tesouro, que jamais foi achado.

Na Fazenda Tupã, em Cêrro Corá, antiga propriedade do minerador e agricultor Sérvulo Pereira, um parente do morador, residente em Natal, ao lá pernoitar, diz que achou uma botija, depositada em uma de suas paredes. Nesta, o buraco ainda está lá, feito, ás vistas de todos.

O Seridó é recheado dessas histórias de botijas que, imaginárias ou não, nunca saíram do imaginário popular.

E, no imaginário das gentes rurais, e mesmo urbanas, faz-se necessário um incrível ritual para o desenterramento das chamadas botijas. Dizem que o aquinhoado com o famoso sonho que se lhe concede a primazia pelo tesouro, tem que, antes de tudo, ter muita Fé em Deus, saber de orações fortes e não temer a almas do outro mundo nem a aparições terríveis dos sub-mundos das trevas. Nesses arrancamentos, que geralmente, segundo a tradição mítica, são realizados á meia noite, não se pode conversar, caso sejam duas ou mais pessoas, e nem se proferir palavrões, porque senão o ouro ou o dinheiro transforma-se em marimbondos ou em poeira pura.

Contudo, existem pessoas que relatam fatos tão evidentes, sobre como teria arrancado botija tal e qual que, momentaneamente, acreditamos ser a mais pia verdade. E pode até ser, porém, partindo do princípio consistente, de que "nunca se viu ou se pegou em dinheiro de botija"...

No entanto, como diz um velho adágio centenário: "Para quem crer em diabrura, água do pote também cura!". 





    

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